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*Post originalmente publicado em 10/02/2011

Meio Ambiente… ao mesmo tempo que o adoramos, que o contemplamos e que usufruímos, estamos cada vez mais levando-o a patamares insustentáveis de utilização. È evidente o quanto nosso planeta está crescendo e como conseqüência, necessitando de recursos para suprir a demanda da população. Pode até parecer utopia, mas a conservação e manutenção de nossas reservas naturais podem caminhar lado a lado do desenvolvimento de nossa ‘casa’. Grande parte da população de alguma maneira, através de propagandas e conhecimentos produzidos pelo setor público, privado e ONG’s já está ciente da importância da preservação de nossa mãe natureza. Porém, só ouvir, pensar e não agir, não funciona! O que precisamos fazer é agir e contribuir de forma efetiva para o que tanto se prega não fique apenas na vontade.

Montanhas, nascentes e lagos fazem parte da paisagem da Serra da Gandarela

O Brasil é considerado um dos principais países de megadiversidade do mundo. Possui aproximadamente 20 % de todas as espécies conhecidas do planeta, sete biomas oficiais, diversos ecossistemas, a maior bacia hidrográfica do mundo, o maior reservatório de água doce da América do Sul (Aqüífero Guarani), uma das maiores zonas costeiras produtivas da Terra, além de grandes áreas consideradas pela UNESCO, como Patrimônios Naturais da Humanidade. Todo este gigantismo contrasta com os alarmantes índices de desmatamentos em nossos biomas, especialmente a Mata Atlântica (atualmente possui cerca de 8% de sua área original) e o Cerrado, considerados Hotspots e que vêem sofrendo com a expansão urbana, a pecuária, os incêndios e outras ações antrópicas. É importante ressaltar que nosso bioma mais conhecido e divulgado, a Amazônia também sofre com diversos problemas relacionados ao desmatamento florestal, a pecuária e a mineração, apesar de ainda possuir cerca de 70 % de sua área original.

Diversas políticas são adotadas pelo Brasil em prol da preservação de nossas riquezas naturais, além de outros acordos internacionais que visam à conservação, assim como a CDB – Convenção da Diversidade Biológica, assinada na ECO-92, conferência realizada pela ONU em 1992 no Rio de Janeiro com o intuito de conciliar o desenvolvimento socioeconômico à proteção e conservação dos ecossistemas terrestres, buscando a reversão dos problemas ambientais recorrentes no mundo.
A CDB, em um de seus artigos, institui a preservação da biodiversidade no planeta. A preservação pode se dar de diversas formas e delas tem sido efetivada através da criação de unidades de conservação. Este termo é definido segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação como:

“Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”

Existem diversos tipos de unidades de conservação, cada uma com suas características e usos permitidos ou proibidos. Em caráter especial de análise, temos uma categoria chamada de Parque Nacional. Quando tal unidade se localiza em território estadual é considerado Parque Estadual e se em espaço municipal é designado pelo termo Parque Natural Municipal.

Mapa das cidade no entorno do possível Parque Nacional

A cidade de Nova Lima – MG possui dentro de seus limites áreas de preservação como: o Parque Estadual do Rola Moça, a Mata do Jambreiro, a APA Sul, o Parque Ecológico Municipal Rego dos Carrapatos e em breve poderá fazer parte de mais um parque, o Parque Nacional da Serra do Gandarela.

Estragos podem ser causados pela mineração

Por estar inserido no quadrilátero ferrífero, a cidade sofre constantes pressões frente ao desenvolvimento da mineração, que ao mesmo tempo é necessário, mas deixa marcas profundas nas paisagens mineiras. Recentemente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, autarquia federal, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente realizou diversos estudos técnicos buscando fundamentar a criação deste parque nacional. O parque irá abranger cidades como Caeté, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Barão de Cocais, Itabirito, Ouro Preto e Santa Bárbara. Nestes estudos ficou evidente a riqueza de minérios propícios à exploração de grandes mineradoras, porém, neste momento, se torna mais viável e contundente a preservação da área, pois, evidenciou-se a presença de diversas espécies da flora e fauna essenciais ao equilíbrio biológico da região, assim como centenas de nascentes que contribuem para o abastecimento de algumas cidades como Caeté e Rio Acima. A área do parque ainda compreende relevantes espaços com potencial turístico.

Nascentes mapeadas na Serra da Gandarela

Mesmo sendo necessário a exploração do minério de ferro e do ouro, devemos ter em mente do que um Parque Nacional pode trazer muitos benéficos para uma comunidade, sejam eles sociais, econômicos, ambientais e culturais. Em um parque pode-se explorar o segmento do uso público e dos serviços, setor que está em franco desenvolvimento em Nova Lima. Com um parque em funcionamento, pode-se cobrar entrada, realizar licitações para a prestação de serviços, como a abertura de estabelecimentos alimentícios, de lojas para venda de malharia, brindes, além artigos diversos com a temática do parque. Todo espaço desta unidade também se torna de extrema importância para o desenvolvimento de pesquisas que visam auxiliar a conservação da unidade e ao mesmo tempo produzir benefícios para a comunidade de maneira geral, fomentando a consciência critica dos cidadãos que vivem no entorno e daqueles que por ventura venham a visitar o parque.

Por fim, obviamente, todo este retorno, especialmente o financeiro acontece a médio e longo prazo, diferentemente do que ocorre com os royalties provenientes da mineração, que são de curto prazo. A solução para esta ‘via de mão dupla’, talvez seja o bom senso e o comprometimento de sociedade em relação à preservação de nossas riquezas, antes que em algum momento tudo esteja perdido, sem a possibilidade de vermos um “verde novo”.

Por: Diego Brito

*Diego Brito é Bacharel em Turismo pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Coordenador do Centro Vocacional Tecnológico de Nova Lima e Coordenador Geral da ONG VERDENOVO Rio das Velhas.

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